segunda-feira, 13 de junho de 2011

Síntese do filme "As Melhores Coisas do Mundo"


Logo no início do filme, conhecemos Mano, um adolescente de classe média que aos 15 anos se acredita livre: “Eu sempre ouvi meu pai falando que a gente só é feliz na infância. Ouvi um bilhão de vezes: ‘Passa rápido, filho!’ Rápido o cacete! Demorou séculos até eu conseguir minha liberdade. Até que enfim chegou, claro.” Certo dia, quando volta da escola, encontra seus pais discutindo enquanto seu pai faz a mala para ir embora. Muito irritado, o menino arranca a mochila das mãos do pai dizendo que aquela mochila não lhe pertence. Algum tempo depois, o pai reúne Mano e Pedro na sala e conversa sobre sua saída de casa: “Eu só to mudando de casa, mas eu quero que vocês tenham absoluta certeza que o meu amor por você nunca vai mudar. Vocês mesmo, quando vocês querem alguma coisa,, vocês não vão atrás? Isso é maravilhoso. Isso é que é importante, a busca pela felicidade.” Sem esperar o pai terminar de falar, o jovem se levanta e vai embora. No caminho para a aula de violão, pensa: “Quando descobri que Coelhinho da Páscoa e Papai Noel era tudo mentira, me senti traído. Agora, descobrir que minha família não existe mais, é a pior coisa do mundo.”
http://2.bp.blogspot.com/_iaOZJGDM1gY/S8SNOcyuIuI/AAAAAAAAAc0/A-YTRvzs-lc/s1600/galera_800x600.jpgDurante a aula, o professor percebe que há alguma coisa de errado com o menino e lhe pergunta o que está acontecendo. Ele, porém, responde dizendo que não aconteceu nada, e o professor lhe responde, com o violão na mão: “Esse aí é o teu melhor amigo. E esse aqui é o meu melhor amigo. Para eles a gente pode falar o que a gente quiser sempre.”
Ele e seu irmão, Pedro, sentem-se abandonados pelo pai, professor universitário que, após se apaixonar por seu orientando, separa-se de sua mulher e sai de casa. Além da separação, ambos precisarão lidar com a homossexualidade do pai e a depressão da mãe.
Na escola, Mano e seus amigos praticam bullying com uma colega de classe, da qual ele faz uma caricatura e escreve “BRUNA SAPATÃO”, afixando o desenho com os dizeres no mural da escola, provocando risos e piadas por parte de todos. Apenas Carol, a melhor amiga de Mano, não ri. Ela, aliás, é a única menina da turma. É para ela que Mano conta sobre seu pai e fica surpreso ao ver que, para ela, isso não é motivo para zombaria: “Nossa Mano, o teu pai é muito corajoso!” A amiga tenta convencê-lo de que isso é algo normal, mas apesar de sua sinceridade e boa vontade, não convence: “O pai dos outros ser viado, juro por tudo que é mais sagrado, que não vejo o menor problema. Mas o meu pai? Tem tanto pai por aí, caramba... Isso é que nem ganhar na loteria, só que ao contrário.”
Pedro demonstra, desde o início, uma obsessão pela namorada Bia. A menina, porém, sente-se sufocada com o relacionamento que já dura muitos anos, apesar de ambos serem muito jovens. Pedro mantém um blog no qual escreve sobre seus medos e angústias: “Só existo de verdade quando estou escondido numa brecha do tempo no Hotel Danúbio, quando não há roupas nem medo, vergonha nem fingimento, quando somos só desejo e confiança. O resto do tempo eu me sinto uma cópia falsificada de mim mesmo.” Nesse trecho, vemos que Pedro depositava em Bia toda a sua felicidade. Só sentia-se feliz quando estava com ela. Bia pede um tempo a Pedro, e explica o motivo: “Eu preciso respirar. A gente tá junto desde os 15, Pedro!” Em seguida, confessa que está saindo com outro menino, Enzo: “Pe, com você é tudo muito sério, com o Enzo eu dou risada. Pe, a gente vai ficar velhinho junto, guardar a dentadura no mesmo copo, que nem você brinca, mas agora eu preciso de um tempo.” Após esta separação, Pedro fica muito deprimido e não consegue lidar com o término daquilo que para ele era tudo: “Meu peito está todo cortado, são rasgos dos teus seios afiados. Das feridas escapam um grito mudo, como o de um bebê abandonado dentro de um saco na correnteza do rio. Ninguém escuta a minha dor.”

Pedro é profundamente desrespeitoso com os pais em diversos momentos. Logo no início do filme, quando o pai conta sobre seu relacionamento com Gustavo, seu orientando, o filho o insulta e o desrespeita. O mesmo acontece quando sua mãe o aconselha a não “sufocar” a namorada e ele responde a chamando de hipócrita.
Mano tem consciência de que será motivo de piada caso os colegas descubram sobre a homossexualidade do pai: “Pedro, se a galera da escola fica sabendo da história do papai a gente tá fudido.”
Desde a primeira cena do filme, vemos que Mano faz muitas coisas que não gostaria e com as quais não concorda, mas faz para ser aceito em seu grupo. Logo no início, aparece bebendo com seus amigos com quem, logo em seguida, entra em um prostíbulo. O jovem, no entanto, não sentia-se preparado para se relacionar com uma mulher – muito menos com uma prostituta-, mas encena para não ser reprovado pelos colegas. Mais adiante, começa a fumar para chamar a atenção de uma garota, embora não goste do cheiro ou do sabor do cigarro: “Cara, a Valéria é linda e ela fuma. Fumar é horrível. Isso é um paradoxo. Eu to completamente apaixonado por um paradoxo. Meu pai é gay. Esse é o maior paradoxo de todos os tempos.”
Na escola há, ainda, uma menina que a todo o momento está com uma câmera na mão registrando tudo o que se passa. Ela possui um blog no qual posta todas as “fofocas” da escola: “Você já sabe, o que você não sabe a Dri Novaes conta.” A fofoca, aliás, é recorrente nesta escola. Todos temem ser a “bola da vez”.
Deco é o “garanhão” da turma e aquele que gosta de se sentir e se provar melhor do que os outros. Para se dar bem, não mede esforços e não se importa se, para tanto, prejudicará ou magoará outras pessoas. Os preceitos éticos não parecem lhe dizer respeito. É ele quem espalha para toda a escola as fotos da Valéria pelada. É também ele quem conta para todos – por meio de mensagens de celular – que a Carol deu um beijo no professor Artur.
A mãe diz a Mano que o pai ligou perguntando quando iria visitá-lo, ao que o menino responde “Ah não, não precisava ficar fazendo pressão, né? Dá um tempo,” e a mãe responde “Ele é teu pai, ele se preocupa com vocês.” O filho, então, retruca: “Claro, a melhor coisa que poderia acontecer pro nosso futuro, sem dúvida, era ter um pai boiola.” A mãe, irritada, responde: “Cala a boca! O que você entende da vida?” E em seguida, começa a chorar. O menino, então, pensa que preferiria que o pai tivesse morrido.
As eleições para o Grêmio Estudantil da escola estão acontecendo. Durante a campanha, nos deparamos com uma imensa falta de politização dos jovens, que não demonstram qualquer interesse por assuntos importantes ao convívio escolar. A chapa mais cotada para vencer é a chapa “Grana”, cujas principais propostas são um campeonato de truco e a mudança da viagem de formatura de Porto Seguro para Cancun. Os próprios jovens demonstram indignação diante de tanta futilidade e despreocupação. Alguns dos estudantes não se conformam com a superficialidade das propostas e com todas as injustiças que vêem acontecer na escola e reconhecem que algo precisa ser feito: “Eu acho que uma chapa devia ser, tipo, pra evitar esse tipo de coisa assim. Por exemplo, o que aconteceu com a Bruna. Tipo, aquele desenho que colaram dela no mural, eu fiquei muito bravo. A gente devia fazer alguma coisa para acabar com essa babaquice na escola.”
Mano encontra-se mergulhado em meio aos problemas de todos que o rodeiam: a separação de seus pais, o pai é homossexual e vive com o namorado, a mãe está deprimida, a menina por quem é apaixonado passa a ser perseguida na escola por causa da divulgação de uma foto em que está semi-nua; o irmão, a quem tanto admira, deprimido com o fim do namoro. Sente-se sozinho e perdido, não tem a quem recorrer. Tenta, por si só, lidar com todos eles, mas não pode.
Tempo: 1h02

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